Este blog é destinado a todos os vocacionados para a Vida Monástica Beneditina. E-mail: vocacionalmonge@hotmail.com
terça-feira, 27 de junho de 2017
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
CAPÍTULO 58 (RB)
Da maneira de proceder à recepção dos irmãos.
[1] Apresentando-se alguém para a vida monástica, não se lhe conceda fácil ingresso, [2] mas, como diz o Apóstolo: "Provai os espíritos, se são de Deus". [3] Portanto, se aquele que vem, perseverar batendo à porta e se depois de quatro ou cinco dias, sendo-lhe feitas injúrias e dificuldade para entrar, parece suportar pacientemente e persistir no seu pedido [4] conceda-se-lhe o ingresso, e permaneça alguns dias na cela dos hóspedes.
domingo, 15 de janeiro de 2012
COMUNIDADE REUNIDA
[2] O primeiro é o dos cenobitas, isto é, o monasterial, dos que militam sob uma Regra e um Abade. (PRÓLOGO RB)
CAPÍTULO 1: Dos gêneros de monges
[1] É sabido que há quatro gêneros de monges. [2] O primeiro é o dos cenobitas, isto é, o monasterial, dos que militam sob uma Regra e um Abade.
[3] O segundo gênero é o dos anacoretas, isto é, dos eremitas, daqueles que, não por um fervor inicial da vida monástica, mas através de provação diuturna no mosteiro, [4] instruídos então na companhia de muitos aprenderam a lutar contra o demônio [5] e, bem adestrados nas fileiras fraternas, já estão seguros para a luta isolada do deserto, sem a consolação de outrem, e aptos para combater com as próprias mãos e braços, ajudando-os Deus, contra os vícios da carne e dos pensamentos.
[6] O terceiro gênero de monges, e detestável, é o dos sarabaítas, que, não tendo sido provados, como o ouro na fornalha, por nenhuma regra, mestra pela experiência, mas amolecidos como numa natureza de chumbo, [7] conservam-se por suas obras fiéis ao século, e são conhecidos por mentir a Deus pela tonsura. [8] São aqueles que se encerram dois ou três ou mesmo sozinhos, sem pastor, não nos apriscos do Senhor, mas nos seus próprios; a satisfação dos desejos é para eles lei, [9] visto que tudo quanto julgam dever fazer ou preferem, chamam de santo, e o que não desejam reputam ilícito.
[10] O quarto gênero de monges é o chamado dos giróvagos, que por toda a sua vida se hospedam nas diferentes províncias, por três ou quatro dias nas celas de outros monges, [11] sempre vagando e nunca estáveis, escravos das próprias vontades e das seduções da gula, e em tudo piores que os sarabaítas. [12] Sobre o misérrimo modo de vida de todos esses é melhor calar que dizer algo.
[13] Deixando-os de parte, vamos dispor, com o auxilio do Senhor, sobre o poderosíssimo gênero dos cenobitas.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
HISTÓRIA E MODO DE VIDA EM NOSSO MOSTEIRO
Nossa Ordem tem mais de 1500 anos, sendo a mais antiga do mundo. Em 1582, os primeiros monges beneditinos chegaram na cidade de Salvador, capital da Bahia. Estamos por comemorar 430 anos. Somos uma comunidade de monges que vive uma vida voltada para a oração e ao trabalho. Em Salvador, desempenhamos algumas atividades: acolhemos pessoas para retiros vocacionais, temos um museu de obras sacras, possuímos um serviço social e uma biblioteca. Na área educacional, temos um Colégio que atende crianças desde o Fundamental I (1ª a 5ª séries) ao Ensino Médio (1°, 2° e 3° ano), uma Faculdade com os cursos de Psicologia, Filosofia, Teologia e História, um laboratório de restauração de livros, somos capelães das Monjas Beneditinas, entre outras atividades. Tudo é feito para a glória de Deus e aquele que deseja ser monge deve se encaixar no trabalho que lhe for confiado.
Nossa comunidade é jovem, a maioria dos membros têm abaixo de 35 anos. Somos um tanto diferentes, porque conservamos algumas tradições seculares, como por exemplo, o uso das vestes monásticas, o estudo e a aplicação na oração do canto gregoriano, etc. Nossas orações são todas cantadas. Em suma, nosso modo de viver é de monges, um tanto diferente da maioria dos religiosos de hoje.
O trâmite normal para aquele que quer ingressar neste Mosteiro é o seguinte: após o primeiro contato, costumamos enviar uma ficha de identificação. Depois, o candidato nos envia uma carta de apresentação do seu pároco ou de um religioso amigo. Depois que ele tiver sido acompanhado por um tempo, então é-lhe concedido vir passar um tempo aqui conosco durante uma semana, para conhecer-nos melhor. Depois, se estiver perseverante, convidamo-lo para vir passar um mês de experiência, a fim de que ele tenha absoluta certeza para onde está ingressando e o que está fazendo. Depois que se entra, passa a ser Postulante em nosso Mosteiro, seguindo em tudo a vida da comunidade e se preparando para o Noviciado (6 meses a um ano), para depois então ser Professo Temporário (3 anos), e finalmente, Professo Perpétuo e se for da vontade de Deus e da comunidade, poderá ser Sacerdote.
(Digitação: Ir. Leonardo Oliveira, OSB)
O QUE É A VIDA MONÁSTICA?
O monaquismo brotou na Igreja num momento de grave desafio: saindo da clandestinidade das catacumbas e casas particulares, onde se refugiara das perseguições, a Igreja viu-se colocada na situação oposta: foi necessário assumir, no início do século IV, o papel de religião oficial do Império. Ela corria o risco de ser tragada por essa difícil convivência com o poder, deixando que seus valores essenciais e a simplicidade de suas origens fossem abafadas.
Os primeiros monges afastaram-se das cidades para buscar, na solidão do deserto e numa vida extremamente pobre, o clima propício ao conhecimento de si e ao encontro com suas fontes espirituais. Embora seja um modo de vida especial, a vocação monástica sempre conservou-se ativa na Igreja. A identidade do monge se define pela escolha consciente de um modo de vida que é ao mesmo tempo marginal e implicitamente crítico em relação à sociedade em geral e, nos nossos tempos, especialmente em relação à sociedade de consumo. O monge não foge do mundo, nem odeia o mundo, para seguir ao Cristo no deserto, lugar de sofrimentos e tentações, mas também de autenticidade e encontro.
Assim, colocando-se à certa distância da sociedade. Livre de suas convenções e imperativos, o monge entrega-se totalmente ao Cristo e assume uma disciplina cunhada pela sabedoria de uma tradição espiritual que lhe é transmitida por um mestre e um comunidade.
Sendo alguém que busca a Deus, o monge se dispõe a um contínuo e entusiasmado processo de conversão no dia-a-dia de sua vida comunitária. A comunidade torna-se a “escola do serviço do Senhor”, reunida em torno de um pai, o Abade, sinal de Deus que é Pai.
Na comunidade aprende-se a arte de perdoar e amar, de deixar-se gradativamente completar, em sua personalidade, pelas riquezas dos outros. Este processo de crescimento alimenta-se no diálogo constante, pessoal e comunitário, com Deus na oração, verdadeira respiração vital da presença do Espírito. E à oração une-se naturalmente o trabalho manual ou intelectual, realizado por todos em espírito de oferenda e como serviço aos homens.
Toda esta caminhada conduz, pela graça, a uma transformação interior e a um aprofundamento da consciência e da percepção, chegando a uma experiência no mais profundo do ser.
A vida do monge é toda alicerçada na fé, experimentando constantemente a morte e ressurreição em Cristo, com tudo o que isso implica: despojamento, humildade, paz, serviço, alegria, liberdade. Dentro do mosteiro o monge permanece aberto às necessidades dos homens e ao acolhimento. É livre para encontrar e amar a todos. E quer ser, segundo a vontade de Deus, um instrumento de seu Reino.
(Digitação: Ir. Leonardo Oliveira, OSB)
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