quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O QUE É A VIDA MONÁSTICA?


O monaquismo brotou na Igreja num momento de grave desafio: saindo da clandestinidade das catacumbas e casas particulares, onde se refugiara das perseguições, a Igreja viu-se colocada na situação oposta: foi necessário assumir, no início do século IV, o papel de religião oficial do Império. Ela corria o risco de ser tragada por essa difícil convivência com o poder, deixando que seus valores essenciais e a simplicidade de suas origens fossem abafadas.
Os primeiros monges afastaram-se das cidades para buscar, na solidão do deserto e numa vida extremamente pobre, o clima propício ao conhecimento de si e ao encontro com suas fontes espirituais. Embora seja um modo de vida especial, a vocação monástica sempre conservou-se ativa na Igreja. A identidade do monge se define pela escolha consciente de um modo de vida que é ao mesmo tempo marginal e implicitamente crítico em relação à sociedade em geral e, nos nossos tempos, especialmente em relação à sociedade de consumo. O monge não foge do mundo, nem odeia o mundo, para seguir ao Cristo no deserto, lugar de sofrimentos e tentações, mas também de autenticidade e encontro.

 
Assim, colocando-se à certa distância da sociedade. Livre de suas convenções e imperativos, o monge entrega-se totalmente ao Cristo e assume uma disciplina cunhada pela sabedoria de uma tradição espiritual que lhe é transmitida por um mestre e um comunidade.
Sendo alguém que busca a Deus, o monge se dispõe a um contínuo e entusiasmado processo de conversão no dia-a-dia de sua vida comunitária. A comunidade torna-se a “escola do serviço do Senhor”, reunida em torno de um pai, o Abade, sinal de Deus que é Pai.
Na comunidade aprende-se a arte de perdoar e amar, de deixar-se gradativamente completar, em sua personalidade, pelas riquezas dos outros. Este processo de crescimento alimenta-se no diálogo constante, pessoal e comunitário, com Deus na oração, verdadeira respiração vital da presença do Espírito. E à oração une-se naturalmente o trabalho manual ou intelectual, realizado por todos em espírito de oferenda e como serviço aos homens.

 
Toda esta caminhada conduz, pela graça, a uma transformação interior e a um aprofundamento da consciência e da percepção, chegando a uma experiência no mais profundo do ser.
A vida do monge é toda alicerçada na fé, experimentando constantemente a morte e ressurreição em Cristo, com tudo o que isso implica: despojamento, humildade, paz, serviço, alegria, liberdade. Dentro do mosteiro o monge permanece aberto às necessidades dos homens e ao acolhimento. É livre para encontrar e amar a todos. E quer ser, segundo a vontade de Deus, um instrumento de seu Reino.

(Digitação: Ir. Leonardo Oliveira, OSB)

NA REGRA DE ONTEM A VIDA DE HOJE


Em São Bento se enfeixam e se articulam os primeiros três séculos da experiência sintetizada, somada à sua vivência de santidade, ao seu gênio legislativo e ao seu fino conhecimento da psicologia humana.
Por seu equilíbrio e fidelidade evangélica, a Regra logo se espalhou em toda a Europa, instaurando aquele modo de vida de oração, estudo e trabalho, que garantiu a conservação da cultura antiga no seio dos povos bárbaros, orientou a educação dos jovens e animou a evangelização de muitos países. Por sua solidez espiritual e jurídica, a Regra edificou os mosteiros beneditinos que foram os focos irradiantes da fé e de cultura em toda a Idade Média – período no qual plasmaram as atuais nações e línguas européias. É por isso que São Bento é hoje venerado como Patrono da Europa. Assim começa o Prólogo da Regra beneditina:
“Escuta filho, os preceitos do Mestre, e inclina o ouvido do teu coração; recebe de boa vontade e executa fielmente o conselho de um bom pai, para que voltes, pelo labor da obediência, àquele de quem te afastastes pela desídia da desobediência. A ti, pois, se dirige agora a minha palavra, quem quer que sejas que, renunciando às próprias vontades, empunhas as gloriosas armas da obediência para militar sob o Cristo Senhor, verdadeiro Rei”.

(Digitação: Ir. Leonardo Oliveira, OSB)


SÃO BENTO, PAI DOS MONGES DO OCIDENTE


“Que há de mais doce para nós,
caríssimos irmãos,
do que esta voz do Senhor a convidar-nos?”
(RB, Prólogo)

BENTO, HOMEM DE DEUS
Por que ainda se guarda a lembrança deste homem que nasceu quinze séculos atrás? Certamente porque se trata de alguém que tem algo de fecundo a ensinar aos homens de hoje.
Bento (em latim: “Benedictus”, que quer dizer “bendito”), nasceu na Itália, numa pequena cidade chamada Núrsia. Sua família pertencia à pequena nobreza de proprietários rurais. Antes dos vinte anos de idade, foi mandado para Roma, a capital e maior cidade do mundo conhecido de então, a fim de estudar letras. Mas Bento não se adaptou aos ambientes acadêmicos e sociais decadentes que encontrou , sentia necessidade de algo diferente. Partiu novamente para o interior e, depois de algum tempo, retirou-se completamente para “habitar consigo mesmo”, na expressão dos “Diálogos” de São Gregório Magno, o mais antigo cronista de sua vida.
Procurar a Deus de verdade: esta era a aspiração de Bento. Por isso, na radicalidade de seu espírito jovem e resoluto, confrontou-se com as opções fundamentais do Evangelho: pobreza, a disponibilidade total a Deus, a escuta e o aprofundamento de sua Palavra. Tornou-se monge. Passou a viver solitariamente numa gruta, em Subiaco (em latim antigo: “sub-lacum”). A esta gruta, seis séculos mais tarde, subiu São Francisco como peregrino, e nessa ocasião alguém pintou na rocha o mais antigo retrato que se guarda do Pobre de Assis.
Depois de três anos de completa reclusão, na qual só contava com a ajuda de um outro monge que lhe fazia chegar, por uma corda, um pouco de comida. Bento começou a ser descoberto pelos camponeses e pelos outros monges da região. Alguns dentre estes convenceram-no a ser seu Abade, em Vicovaro. Incapazes, porém, de abandonar o relaxamento habitual e seguir o caminho de perfeição que Bento lhes mostrava, tentaram envenená-lo. Mas foram surpreendidos pela força de sua pureza: o cálice com a bebida mortífera partiu-se em pedaços quando o jovem abade sobre ele fez o sinal da cruz.
Tendo voltado Bento à Subiaco, construíram-se ali, no correr dos anos, doze mosteiros que seguiam sua orientação. No entanto, a fama de sua santidade despertou as infâmias de um pároco invejoso e Bento, para garantir a tranquilidade de seus discípulos, decidiu abandonar aquele lugar. Tendo deixado superiores para cada mosteiro, levou consigo apenas duas crianças que educava, Mauro e Plácido, e poucos companheiros.
A providência o encaminhou para Monte Cassino, onde permaneceu até o fim da vida e fundou o grande mosteiro que até hoje é venerado como o tronco de todas as casas beneditinas. Lá viveu e escreveu a Regra de vida que guiou o caminho de incontáveis gerações de santos e monges e até hoje orienta nossa vida monástica. Perto de lá, sua irmã, Escolástica, deu início ao ramo feminino da Ordem de São Bento, observando a mesma regra por ele estabelecida.

(Digitação: Ir. Leonardo Oliveira, OSB)

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

PROMOTOR VOCACIONAL - MOSTEIRO



 PROMOTOR VOCACIONAL

MOSTEIRO DE SÃO BENTO DA BAHIA
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