quinta-feira, 3 de novembro de 2011

NA REGRA DE ONTEM A VIDA DE HOJE


Em São Bento se enfeixam e se articulam os primeiros três séculos da experiência sintetizada, somada à sua vivência de santidade, ao seu gênio legislativo e ao seu fino conhecimento da psicologia humana.
Por seu equilíbrio e fidelidade evangélica, a Regra logo se espalhou em toda a Europa, instaurando aquele modo de vida de oração, estudo e trabalho, que garantiu a conservação da cultura antiga no seio dos povos bárbaros, orientou a educação dos jovens e animou a evangelização de muitos países. Por sua solidez espiritual e jurídica, a Regra edificou os mosteiros beneditinos que foram os focos irradiantes da fé e de cultura em toda a Idade Média – período no qual plasmaram as atuais nações e línguas européias. É por isso que São Bento é hoje venerado como Patrono da Europa. Assim começa o Prólogo da Regra beneditina:
“Escuta filho, os preceitos do Mestre, e inclina o ouvido do teu coração; recebe de boa vontade e executa fielmente o conselho de um bom pai, para que voltes, pelo labor da obediência, àquele de quem te afastastes pela desídia da desobediência. A ti, pois, se dirige agora a minha palavra, quem quer que sejas que, renunciando às próprias vontades, empunhas as gloriosas armas da obediência para militar sob o Cristo Senhor, verdadeiro Rei”.

(Digitação: Ir. Leonardo Oliveira, OSB)


SÃO BENTO, PAI DOS MONGES DO OCIDENTE


“Que há de mais doce para nós,
caríssimos irmãos,
do que esta voz do Senhor a convidar-nos?”
(RB, Prólogo)

BENTO, HOMEM DE DEUS
Por que ainda se guarda a lembrança deste homem que nasceu quinze séculos atrás? Certamente porque se trata de alguém que tem algo de fecundo a ensinar aos homens de hoje.
Bento (em latim: “Benedictus”, que quer dizer “bendito”), nasceu na Itália, numa pequena cidade chamada Núrsia. Sua família pertencia à pequena nobreza de proprietários rurais. Antes dos vinte anos de idade, foi mandado para Roma, a capital e maior cidade do mundo conhecido de então, a fim de estudar letras. Mas Bento não se adaptou aos ambientes acadêmicos e sociais decadentes que encontrou , sentia necessidade de algo diferente. Partiu novamente para o interior e, depois de algum tempo, retirou-se completamente para “habitar consigo mesmo”, na expressão dos “Diálogos” de São Gregório Magno, o mais antigo cronista de sua vida.
Procurar a Deus de verdade: esta era a aspiração de Bento. Por isso, na radicalidade de seu espírito jovem e resoluto, confrontou-se com as opções fundamentais do Evangelho: pobreza, a disponibilidade total a Deus, a escuta e o aprofundamento de sua Palavra. Tornou-se monge. Passou a viver solitariamente numa gruta, em Subiaco (em latim antigo: “sub-lacum”). A esta gruta, seis séculos mais tarde, subiu São Francisco como peregrino, e nessa ocasião alguém pintou na rocha o mais antigo retrato que se guarda do Pobre de Assis.
Depois de três anos de completa reclusão, na qual só contava com a ajuda de um outro monge que lhe fazia chegar, por uma corda, um pouco de comida. Bento começou a ser descoberto pelos camponeses e pelos outros monges da região. Alguns dentre estes convenceram-no a ser seu Abade, em Vicovaro. Incapazes, porém, de abandonar o relaxamento habitual e seguir o caminho de perfeição que Bento lhes mostrava, tentaram envenená-lo. Mas foram surpreendidos pela força de sua pureza: o cálice com a bebida mortífera partiu-se em pedaços quando o jovem abade sobre ele fez o sinal da cruz.
Tendo voltado Bento à Subiaco, construíram-se ali, no correr dos anos, doze mosteiros que seguiam sua orientação. No entanto, a fama de sua santidade despertou as infâmias de um pároco invejoso e Bento, para garantir a tranquilidade de seus discípulos, decidiu abandonar aquele lugar. Tendo deixado superiores para cada mosteiro, levou consigo apenas duas crianças que educava, Mauro e Plácido, e poucos companheiros.
A providência o encaminhou para Monte Cassino, onde permaneceu até o fim da vida e fundou o grande mosteiro que até hoje é venerado como o tronco de todas as casas beneditinas. Lá viveu e escreveu a Regra de vida que guiou o caminho de incontáveis gerações de santos e monges e até hoje orienta nossa vida monástica. Perto de lá, sua irmã, Escolástica, deu início ao ramo feminino da Ordem de São Bento, observando a mesma regra por ele estabelecida.

(Digitação: Ir. Leonardo Oliveira, OSB)

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

PROMOTOR VOCACIONAL - MOSTEIRO



 PROMOTOR VOCACIONAL

MOSTEIRO DE SÃO BENTO DA BAHIA
CAIXA POSTAL 1138
CEP: 40.001 - 970
SALVADOR - BA

VOCACIONALMONGE@HOTMAIL.COM

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terça-feira, 27 de setembro de 2011

CAPÍTULO 68 - Se são ordenadas a um irmão coisas impossíveis



[1] Se a algum irmão são acaso ordenadas coisas pesadas ou impossíveis, que receba a ordem de quem manda com toda a mansidão e obediência. [2] Se vê que o peso do ônus excede absolutamente a medida de suas forças, sugira paciente e oportunamente ao seu superior as causas de sua impossibilidade, [3] não se enchendo de soberba, nem resistindo ou contradizendo. [4] Se, depois de sua sugestão, a ordem do superior permanecer em sua determinação, saiba o súdito ser-lhe isso conveniente [5] e, confiando pela caridade, no auxílio de Deus, obedeça.

 

terça-feira, 23 de agosto de 2011

CAPÍTULO 58

“ Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei...”
Jo 15, 16

CAPÍTULO 58 - Da maneira de proceder à recepção dos irmãos
[1] Apresentando-se alguém para a vida monástica, não se lhe conceda fácil ingresso, [2] mas, como diz o Apóstolo: "Provai os espíritos, se são de Deus". [3] Portanto, se aquele que vem, perseverar batendo à porta e se depois de quatro ou cinco dias, sendo-lhe feitas injúrias e dificuldade para entrar, parece suportar pacientemente e persistir no seu pedido [4] conceda-se-lhe o ingresso, e permaneça alguns dias na cela dos hóspedes. [5] Fique, depois, na cela dos noviços, onde esses se exercitam, comem e dormem. [6] Seja designado para eles um dos mais velhos, que seja apto a obter o progresso das almas e que se dedique a eles com todo o interesse. [7] Que haja solicitude em ver se procura verdadeiramente a Deus, se é solícito para com o Ofício Divino, a obediência e os opróbrios. [8] Sejam-lhe dadas a conhecer, previamente, todas as coisas duras e ásperas pelas quais se vai a Deus. [9] Se prometer a perseverança na sua estabilidade, depois de decorridos dois meses, leia-se-lhe por inteiro esta Regra, [10] e diga-se-lhe: Eis a lei sob a qual queres militar: se podes observá-la entra; mas se não podes, sai livremente. [11] Se ainda ficar, seja então conduzido à referida cela dos noviços e seja de novo provado, em toda paciência. [12] Passados seis meses, leia-se-lhe a Regra, a fim que saiba para o que ingressa. [13] Se ainda permanece, depois de quatro meses, releia-se-lhe novamente a mesma Regra. [14] E se, tendo deliberado consigo mesmo, prometer guardar todas as coisas e observar tudo quanto lhe for ordenado, seja então recebido na comunidade, [15] sabendo estar estabelecido, pela lei da Regra, que a partir daquele dia não lhe é mais lícito sair do mosteiro, [16] nem retirar o pescoço ao jugo da Regra, a qual lhe foi permitido recusar ou aceitar por tão demorada deliberação.
[17] No oratório, diante de todos, prometa o que vai ser recebido a sua estabilidade e conversação de seus costumes, e a obediência, [18] diante de Deus e de seus Santos, a fim de que, se alguma vez proceder de outro modo, saiba que será condenado por aquele de quem zomba. [19] Desta sua promessa faça uma petição no nome dos Santos cujas relíquias aí estão e do Abade presente. [20] Escreva tal petição com sua própria mão; ou então, se não souber escrever, escreva outro rogado por ele, e que o noviço faça um sinal e a coloque com sua própria mão sobre o altar. [21] Quando a tiver colocado, comece logo o seguinte versículo: "Suscipe me, Domine, secundum eloquium tuum et vivam, et non confundas me ab expectatione mea". [22] Responda toda a comunidade este versículo, por três vezes, acrescentando: "Gloria Patri". [23] Prosterna-se, então, o irmão noviço aos pés de cada um para que orem por ele; e já daquele dia em diante seja considerado na comunidade. [24] Se possui quaisquer bens, ou os distribua antes aos pobres, ou, por solene doação, os confira ao mosteiro, nada reservando para si de todas essas coisas: [25] pois sabe que, deste dia em diante, nem sobre o próprio corpo terá poder. [26] Portanto, seja logo no oratório despojado das roupas seculares com que está vestido, e seja vestido com as roupas do mosteiro. [27] As vestes que despiu sejam colocadas na rouparia, onde devem ser conservadas, [28] para que, se algum dia, por persuasão do demônio, consentir em sair do mosteiro - que isso não aconteça! - seja expulso, despido das roupas do mosteiro. [29] Não lhe seja entregue, porém, aquela sua petição que o Abade tirou de cima do altar, mas fique guardada no mosteiro.
 

DESPERTAR VOCACIONAL


O Despertar VocaCIONAL


Despertar significa tirar do sono, acordar, revelar-se, mostrar-se, despontar. Não muito longe deste sentido o despertar vocacional quer auxiliar os adolescentes, os jovens no acertar seu projeto de vida. Isto leva de imediato a falar, pensar e refletir sobre vocação (o chamado de Deus em sua vida). O primeiro passo é retomar o sentido que damos à vida. Então tire um tempo para você mergulhar nos mistérios da vida. Mas não se esqueça, a experiência é pessoal, cada um sente de um jeito. O chamado de Cristo é o mesmo para todos: “Vem e segue-me!”, mas cada um responde de maneira diferente: casando-se, tornando-se padre, oblato(a), freira, monja, leigo(a) consagrado(a) e MONGE.
Você já pensou como respondê-lo?
“Qual a alma sedenta de Deus que, procurando a vida e desejando ver dias felizes não sente, pela fé, o coração dilatar-se com inenarrável doçura de amor, percorrendo o caminho dos mandamentos do Senhor, ao ouvir este suave convite? Assim, ‘levantemo-nos logo, pois a Escritura nos desperta dizendo: Já é hora de nos levantarmos do sono. Hoje, se ouvirdes a vós do Senhor, não endureçais os vossos corações, e ainda: Vinde, meus filhos, e escutai-me; vou ensinar-vos o temor do Senhor’(Pr 8.10-12)” (Regra de São Bento).